Alexandra do Carmo enuncia uma visão do processo criativo enquanto acção colectiva recorrendo, na linha de trabalhos anteriores, à imagética animal. Em cinquenta desenhos, a artista propõe um co-retrato autor/espectador sob a forma de um rosto de chimpanzé em cujos olhos se vislumbram perspectivas do seu atelier, das quais sobressaem a janela e objectos como uma mesa e uma cadeira. Numa intervenção efectuada em colaboração com Abinadi Meza, elementos sonoros derivados do registo do ambiente diário do contacto com materiais existentes no atelier, bem como de gravações de situações diárias deste lugar, convocam as micro-narrativas, reais e imaginárias, do fazer artístico.
Alexandra do Carmo
Nasceu em Felgueiras em 1966. Vive e trabalha em Nova Iorque. Estudou Artes Plásticas no Ar.Co, em Lisboa, e no Pratt Institute, em Nova Iorque. Frequentou o Independent Study Program do Whitney Museum of American Art, em Nova Iorque. Esteve recentemente em residencia no Irish Museum of Modern Art. Expõe regularmente desde inícios dos anos 00. Das suas exposições individuais, destacam-se «Uma sala com repetição de tudo» (Módulo – Centro Difusor de Arte, Lisboa, 2003) e «Wild M5» (Sala do Veado do Museu Nacional de História Natural, Lisboa, 2004).