Exposição colectiva comissariada por David Barro
No dia 14 de Setembro quarta-feira será inaugurada a galeria de arte contemporânea Carlos Carvalho. Com sede em Lisboa, a galeria foi projectada pela conhecida equipa de arquitectos Aires Mateus e conta com quatro espaços expositivos independentes que permitirão combinar diversas formas de arte contemporânea e manter uma linha internacional de exposições.
Dirigida por Carlos Neves Carvalho, que anteriormente dirigiu a galeria ARA desde 1988, a galeria Carlos Carvalho centrar-se-á na exposição e promoção de arte Contemporânea, prestando especial atenção ao mundo da edição. Para a exposição inaugural convidou-se o comissário espanhol David Barro, a quem se encarregou também de assessorar o início de funcionamento deste novo projecto que contará com o apoio dos comissários Miguel Amado (curador do Centro de Artes Visuais de Coimbra) e Filipa Oliveira (comissária independente) para a programação das salas Zoom, dedicada à criação mais jovem, e 20M3, centrada na criação site-specific. Para iniciar, e como reconhecimento pelo privilégio de poder contar com um espaço da autoria dos irmãos Aires Mateus, decidiu-se homenagear a própria arquitectura; desde uma primeira selecção de artistas que a trabalham como tema o motivo nas suas obras no caso da primeira exposição, intitulada Outras Arquitecturas, outros artistas…outras alternativas, até às exposições individuais do artista brasileiro José Bechara e dos portugueses Daniel Blaufuks e Baltazar Torres que mantém uma estreita relação com esta. Ao mesmo tempo, sob o comissariado de Miguel Amado e Filipa Oliveira, serão apresentados distintos projectos específicos em dois outros espaços da galeria, baptizados de Zoom e 20M3.
PROJECTO ARQUITECTÓNICO Galardoados com numerosos prémios e reconhecimentos –em breve serão objecto de uma exposição individual sobre o seu trabalho no Centro Cultural de Belém-, os irmãos Mateus definem os seus projectos a partir de um ou dois gestos, evitando o pormenor para se concentrarem na superfície e no volume, em definitivo, no intrínseco da própria arquitectura. Privilegia-se assim o traço simples, certeiro, esse capaz de reconfigurar o nosso olhar. “Saber olhar é uma condição indispensável para saber propor”, garante João Belo Rodeira no momento de traçar um percurso pela trajectória dos citados arquitectos. E, certamente, os irmãos Mateus demonstraram “saber olhar” em toda a sua trajectória e destilar esse olhar numa afortunada abstracção. Assim, uma primeira leitura do lugar origina uma potenciação deste, as suas condicionantes são assumidas e reinterpretadas para servir os objectivos finais do projecto. Porque os irmãos Mateus não mascaram as questões nem os escolhos que possam encontrar no caminho constructivo, pelo contrário, enfrentam tudo isso como um estímulo capaz de matizar cada proposta, como um irónico “work in (re)progress” assinalado pelo citado Belo Rodeira. Como em conhecidos anteriores projectos seus, neste novo projecto dos irmãos Mateus tudo é experimentação, tudo é descoberta; neles cada projecto é um somatório de tentativas, de alterações que assumem com naturalidade para se adaptarem às necessidades lógicas de cada projecto, de cada cliente. Neste caso, outra vez, a construção –a sua primeira galeria de arte- constrói-se a partir das suas próprias regras, mas com uma função determinada que rege e dá sentido a cada forma. Outra vez os ecos do já existente com o novo se diluem, e las vigas, longe de ser ocultas, multiplicam-se num impossível caleidoscópio minimalista. Assim, deparamo-nos com uma arquitectura vazia que paradoxalmente tudo a preenche; uma arquitectura que logo será tatuada com a vida de outros artistas, de outras alternativas estéticas. E tudo com afortunada fluidez sob uma geometria relacional e dinâmica, com a simplicidade totémica que os caracteriza e, como não, fiel a uma intimidade que lhe dá sentido, eficiência, condição espacial.