Quinta-feira, 22 de out., das 14:00 h às 21:00 h.
Sexta-feira, 23 de out., das 14:00 h às 21:00 h.
Sábado, 24 de out., das 11:00 h às 21:00 h.
Domingo, 25 de out., das 11:00 h às 18:00 h.
Sociedade Nacional de Belas-Artes
Rua Barata Salgueiro, 36
1250-044 Lisboa
Maria Condado
A obra de Maria Condado (Lisboa, Portugal, 1981) cruza-se com a figuração através de uma linguagem pictórica na qual a mancha em movimento constrói o espaço e estrutura a composição. O ambiente move-se, envolve e ativa a figura, por vezes desencadeando um processo de camuflagem tão denso e expressivo que acaba por obstruir a própria presença do corpo.
Aqui, figuras de referência provenientes de diferentes momentos da história da arte são deliberadamente descontextualizadas e inseridas num novo enquadramento plástico, passando a ocupar um mesmo plano temporal. A imagem deixa de ser autónoma e reconhecível pela sua origem, sendo o próprio ambiente pictórico que determina aquilo que conseguimos reconhecer como corpo. Ao retirar-lhes o entorno que lhes conferia contexto e significado, Maria Condado faz coexistir, num presente comum, imagens provenientes de diferentes tempos históricos.
A pintura torna-se, assim, um espaço de suspensão temporal, onde referências carregadas de ressonâncias simbólicas e históricas deixam de responder exclusivamente à sua origem para participar na construção de uma nova imagem.
Ricardo Angélico
Neste trabalho, as recomendações do algoritmo do YouTube convertem-se num inventário pessoal. Ao reunir registos de vídeos consumidos num determinado momento, o artista transforma uma sequência aparentemente aleatória no que se pode inferir como um autorretrato. A partir destas paisagens visuais digitais, questiona-se a construção da identidade a partir de um condicionamento perceptivo da realidade. Neste trabalho, as recomendações do algoritmo do YouTube convertem-se num inventário pessoal. Ao reunir registos dos vídeos consumidos num determinado momento, o artista transforma uma sequência aparentemente aleatória numa espécie de autorretrato, construído a partir das imagens e dos estímulos que moldam a sua experiência do mundo. À semelhança da ideia de que o mundo se constitui enquanto representação para um sujeito, estas paisagens visuais digitais revelam como aquilo que percecionamos depende das condições que estruturam o nosso olhar. O trabalho questiona, assim, a construção da identidade na interseção entre perceção individual, representação da realidade e condicionamento tecnológico, explorando os limites entre aquilo que escolhemos ver e aquilo que nos é dado a ver.