Exposição coletiva
'(...) Esta exposição parte da ideia de presença através da ausência, em ressonância com o conceito de fugitividade desenvolvido pelo poeta e pensador Fred Moten. Para Moten, a fugitividade não é um afastamento, mas uma recusa em ser capturado pelas normas dominantes. O fugitivo inventa formas de vida colectivas e improvisadas a partir das margens, resistindo sem se revelar. Ser invisível é, por vezes, sobreviver de outra forma — criar a partir das sombras, cuidar a partir da periferia.
As formas de invisibilidade aqui exploradas são sociais, políticas e ecológicas. Afectam uma ampla maioria da população global, empurrada para as margens da sociedade e para o pano de fundo da representação devido ao género, origem, estatuto social, saúde, idade, entre outros factores.
Estas invisibilidades forçadas conduzem frequentemente ao isolamento e, por vezes, até à hostilidade em relação ao outro. No entanto, não devemos esquecer que não é a diferença em si que alimenta as tensões da sociedade contemporânea, mas a violência difusa de um sistema político e económico que enfraquece a solidariedade, instrumentaliza a diversidade e coloca as pessoas umas contra as outras para manter a desigualdade.
A exposição explora estes desaparecimentos impostos — de corpos, vozes, territórios — e destaca o que persiste nas margens: gestos discretos, presenças fragmentárias, narrativas silenciadas. Talvez estas sejam outras formas de habitar o mundo.'
Frac Bretagne, Rennes
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