José Bechara (Rio de Janeiro, Brasil) iniciou a sua produção nos anos noventa como pintor. A sua pintura caracteriza-se pela utilização diversificada de materiais como oxidações sobre tela e peles de animais, permitindo novas experiências no campo pictórico. Recentemente, o artista criou instalações feitas a partir de móveis, combinando o gesto escultórico com as questões relativas à pintura, como o plano, a cor ou a geometria.
O olhar tenso de José Bechara (como titula David Barro o seu texto para o livro que será publicado com as peças da exposição e muitas outras) é um olhar humanizado, poético, tenso, mas, sobretudo, nascido na pintura como experiência vital. Nas suas obras, Bechara desenvolveu temas como a morte, o tempo, o abandono e a memória.
José Bechara sugere por defeito, dissimulando as matizes, revelando o que está presente desde a omissão, a ausência ou, inclusivé, o vazio – embora as suas obras pareçam estar cheias. As suas obras sussurram realidades esquivando a imagem sem a negar, sem a desenhar, mas deixando campos abertos para a sua possível conclusão, sempre imaginada, intuitiva. Assim, acariciam a realidade, descobrem sons apenas possíveis a partir do silêncio, numa espécie de libertação subjectiva próxima das partituras de John Cage. Nestas obras o som não existe, interpreta-se; nas pinturas de Bechara muitas vezes também não há pintura, pensa-se.