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Nesta que é a sua quarta exposição individual na galeria, Mónica Capucho propõe um conjunto de trabalhos que compreendem a cor não como um fenómeno fixo, mas como uma construção dinâmica resultante da interação entre matéria, perceção e linguagem. Neste enquadramento, as obras ultrapassam a mera função descritiva da cor, assumindo-a como um campo autónomo de investigação visual que estrutura a apresentação dos trabalhos em diálogo direto com a arquitetura da galeria.

A criação de ambientes cromáticos, baseados em variações sistemáticas de uma mesma cor explorada através de diferentes combinações, densidades e escalas, evidencia a cor como um sistema relacional. Sob este prisma, pequenas alterações produzem mudanças significativas na perceção de profundidade, proximidade e ritmo visual. A justaposição de diferentes tonalidades condiciona a nossa experiência de apreensão do objeto artístico, uma vez que a obra, vista isoladamente ou em conjunto, adquire uma dimensão cromática mais abrangente. O que a artista afirma é que a leitura da cor não é objetiva nem unívoca, mas sim flexível e dependente do contexto. Este fluxo contínuo e relacional ganha uma tensão de opostos na sala principal através do choque cromático entre o azul e o vermelho.

A polaridade entre estas cores cria uma ambiência psicofisiológica e uma perceção espacial de rutura. O vermelho, enquanto cor quente de onda longa, estimula o entusiasmo e a energia; além disso, a forma como é aplicado na parede faz com que pareça avançar em direção ao espetador. Em contrapartida, o azul, como cor fria de onda curta, gera uma ilusão de profundidade e distanciamento, potenciada pela horizontalidade com que se distribui na sala.

Capucho propõe, assim, que a pintura seja uma experiência sensorial descentrada e multifacetada. Ao fazê-lo, a artista resgata as interrogações que moldam a pintura contemporânea: o que há na pintura que a torna pintura? Pode a escultura ser adicionada à pintura? Pode a pintura habitar uma escultura? Inserindo o seu trabalho na linhagem do conceptualismo — onde a imagem se desmaterializa em favor de processos, acoplamentos e mutações formais —, a artista expande as fronteiras da pintura ao tomar partido da instalação site-specific.

Ao dissolver as fronteiras entre o plano pictórico e o espaço arquitetónico, Mónica Capucho oferece-nos uma pintura que ocupa o espaço, propondo-nos repensar a pintura como um fluxo contínuo, interligado e profundamente complexo.

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