Jorge Lancinha nasceu em 1975 na cidade de Évora.
Frequentou a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (1993/2000) onde se licenciou em Pintura. No seu percurso criativo encontram-se aproximações diversas a múltiplos meios de expressão, desde a própria pintura ou o desenho, à tridimensionalidade objectual e à instalação. Foi inclusive neste registo «objectual» que se apresentou pela primeira vez na Galeria Ara (1998) conjuntamente com outros três colegas - José Batista Marques, José Lourenço e Rui Macedo - numa exposição intitulada "3.27" que veio afirmar uma ligação gerada durante os tempos de faculdade, e que foi motivo de mais duas outras mostras com o mesmo nome (2001 e 2004). Logo após regista-se um regresso à pintura na sua expressão mais tradicional (tinta sobre tela) e desde então tem sido este o território de exploração eleito pelo artista. Aqui a necessidade de «simbolizar» descrita anteriormente por Carlos Vidal ganha forma através de uma outra abordagem, já não «materiológica» - ou seja, emanando da metamorfose plástica dos materiais - mas sim temática. Nos trabalhos apresentados em 2003 na exposição individual "Fio de Ariadne" traça-se os contornos de um universo simbólico no qual se move actualmente a pintura de Jorge Lancinha. A pesquisa em torno de tradições ancestrais, o fascínio pela cultura de civilizações passadas, o mito, o sagrado, caracterizam esse universo e introduzem aquilo a que poderíamos definir como uma espécie de «abordagem arqueológica» da pintura, recuperando no tempo formas, imagens, conceitos; resgatando-as não do tempo geológico mas fazendo-as emergir de um plano meta-temporal onde se inscrevem os ciclos e as estações da existência humana. Temas como as Mandalas e os Labirintos são abordados nos trabalhos mais recentes de Lancinha, onde podemos assistir a uma recuperação de imagens fortemente carregadas de simbolismo reinventadas numa outra linguagem estética. A peça que agora apresenta no espaço 20M3 da Galeria Carlos Carvalho assinala um regresso do artista ao universo da instalação, retomando a linha de trabalho descontinuada após a primeira exposição “3.27” em 1998. A propósito desta nova instalação faz sentido relembrar o texto que Carlos Vidal escreveu para o catálogo dessa primeira “3.27” - "Da Matéria à Matéria Simbólica”: "Há nestes trabalhos (...) uma vocação «materiológica» (termo que pertence a Jean Fautrier e ao informalismo) que o leva a hibridizar o espaço do pictórico com o «fazer» e o «processo» inerente aos objectos. Daí que as suas pinturas, por vezes, tomem a forma daquilo que chamamos habitualmente de esculturas. Posteriormente. Esse «fazer» (que é o processo físico ou a produção do matérico e do material) reveste-se de uma necessidade (...) de simbolizar, cruzamento último que pressupõe a presença da mão, como agente da realidade daquilo que é apresentado e, ao mesmo tempo, uma determinada e heterodoxa religiosidade.(...) tenta-se a arte como espaço metafórico e metamórfico; persegue-se, digamos assim, o retrato de um «homem» prisioneiro da efemeridade e da temporalidade (...)".