O trabalho de Ricardo Angélico (Huambo, Angola, 1973) desenvolve-se principalmente através do desenho e da pintura. As suas obras apresentam figuras imaginárias e estabelecem ligações, por vezes subversivas, entre várias referências, como o cinema, a literatura e elementos da própria cultura. Essas referências surgem organizadas em fragmentos narrativos que nem sempre são claros ou diretamente ligados entre si. O resultado é uma multiplicidade de combinações em constante evolução, com diversas abordagens gráficas, que dão origem a composições enigmáticas e desconstrutivas.
O artista licenciou-se em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Tem vindo a mostrar o seu trabalho desde 1995. Entre as exposições realizadas destacam-se “Peças para uma máquina do tempo perdido”, “Play”,“Freak Out”, “There will be no safety zone” “The Aronburg Mystery” (Carlos Carvalho Arte Contemporânea, 2024, 2019, 2013, 2011, 2009), “O Desenho Dito” (Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea, Almada, Portugal, 2008), “À volta do papel” (Centro de Arte Manuel de Brito, Algés, Portugal, 2008), “100 artistas, Acervo. Artistas Portugueses en la Colección Navacerrada” (Centro de Arte Alcobendas, Alcobendas, Espanha, 2015). Está representado em diversas colecções como a Culturgest, Lisboa, Portugal, Fundação PLMJ, Lisboa, Portugal, Centro de Arte Manuel de Brito, Algés, Portugal, Colecção Navacerrada, Alcobendas, Espanha, Ayuntamiento de Pamplona, Pamplona, Espanha.
“O imaginário híbrido ou bizarro de Ricardo Angélico une o pós-apocalíptico ao infantil, o aparentemente absurdo à tonalidade lúdica, o mistério à impressão de horror vacui. Um jogo de diferença e de repetição, de tonalidades estranhas e detalhes vertiginosos, de um barroquismo que assume a sua condição excessiva.”
Fernando Castro Flórez
Em muitos dos quadros de Ricardo Angélico observa-se uma tonalidade carnavalizante como resultado da sua procura contínua de um humor refinado e inteligente, ao mesmo tempo erudito e popular. Assume a condição pós-moderna tanto no que tem de abertura de uma libertação pós-histórica quanto numa tendência acentuada para realizar composições que são mise en abyme, em paralelo lúcido com os jogos narrativos borgianos. Ricardo Angélico questiona a lógica convencional figurativa sem derivar para a abstracção em tantas ocasiões marcada por uma combinação do pretensamente transcendental com o descaradamente decorativo.
Fernando Castro Flórez