MÓNICA DE MIRANDA |

No vídeo “Dó” (2018) de Mónica de Miranda, o espectador percorre lugares da paisagem urbana de Luanda, Angola, seguindo o movimento das personagens que, através da música ou da dança, atuam, alheadas do cenário onde se inserem. As personagens fornecem vários planos de leitura dos edifícios, ora colocando-nos em imersão na cidade, fazendo-nos circular por entre edifícios degradados, alguns quase engolidos pela vegetação, ora mostrando amplas perspetivas sobre a cidade, ora dando-nos a perceção de escala e do caráter cenográfico destes edifícios pela inclusão da fachada no enquadramento. A artista usa a arquitetura modernista angolana como uma lente de observação da transformação da cidade e da sua história, tecendo conexões com o passado para nos fazer pensar sobre o presente. O modernismo, enquanto testemunha dessa ruína, fala-nos de uma construção social e de um posicionamento ideológico e político. Estes lugares simbólicos: o hotel, o local turístico, o cinema, revelam os modos de estruturação da sociedade numa época histórica marcada pelo privilégio circunscrito a um grupo social. O hotel Panorama, edifício modernista, emblemático da cidade de Luanda nos anos 70, o cinema Karl Marx, antigo Avis, renomeado após a guerra da independência, as cascatas de Kalandula (antes cascatas Duque de Bragança), postal turístico de Angola e por isso associado ao lazer e bem-estar, representavam uma altura em que a sociedade era profundamente hierarquizada. Todos estes espaços estão atualmente fechados e/ou para venda refletindo a pressão do mercado imobiliário que ameaça a continuidade do património histórico de Angola. Mónica de Miranda mostra como a cidade pode ser um corpo de análise que, por ser palco de mudanças estruturais na sociedade, revela o nosso passado. Instrumento de transformação social em contínuo, a cidade revela quem nós somos, o que queremos ser e como podemos mudar.

 

In the video “Dó” (2018) by Mónica de Miranda, the viewer roams through Luanda, Angola’s urban landscape, following the characters who are performing through music or dance apart from the scenario where they belong. The characters provide various plans for reading the buildings, sometimes immersing the viewer in the city, making us wander among degraded buildings almost swallowed by vegetation, showing broad perspectives on the city or giving us the perception of scale and of the scenic dimension of these buildings by including the facade in the frame. The artist uses Angolan modernist architecture as a lens for observing the transformation of the city and its history, weaving connections with the past, making us think about the present. Modernism, as a witness to this ruin, enforms a social frame and a ideological and political position. These symbolic places: the hotel, the tourist site, the cinema, tells us about a time when society was structured and the privilege was limited to a social group. The Panorama hotel, a modernist building, emblematic of the city of Luanda in the 1970s, the Karl Marx cinema, former Avis, renamed after the war of independence, the Kalandula waterfalls (formerly Duque de Bragança waterfalls), a tourist postcard of Angola and for that reason associated with leisure and well-being, they all represents a time when society was deeply hierarchical. All of these spaces are currently closed and / or for sale reflecting the pressure from the real estate market that threatens the continuity of Angola's historic heritage. Mónica de Miranda shows us how the city is a stage for structural changes in society and can be a body of analysis that reveals our past. As an instrument of continuous social transformation, the city tells us about who we are, what we want to be and how we can change.

 

 

, 2018
HD video dual screen, 9''
Sound design by Soundslikenuno (Chullage)

 

Portfolio da artista Artists portfolio

 


 

 

 


 


 

 

 

 

 

Mónica de Miranda (Porto, 1976) é artista e pesquisadora. O seu trabalho baseia-se em temas de arqueologia urbana e geografias pessoais. Foi nomeada para o prémio Novo Banco, tendo exposto no Museu Berardo (Lisboa, 2016) e para o prémio EDP Novos Artistas (2019). Foi indicada ao Prix Piclet Photo Award (2016).  As suas exposições individuais incluem: "Taxidermy of the Future” (Museu de História Natural de Luanda, Angola, 2020), “Tomorrow is Another Day” (Carlos Carvalho Arte Contemporânea, Lisboa, 2018),“Panorama” (Banco Económico de Luanda, Luanda, 2019;“Hotel Globo” (Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa, 2015), “Arquipélago” (Galeria Carlos Carvalho, Lisboa, 2014).  As suas exposições coletivas incluem: Fotofest Biennial 2020, Houston, EUA, “Utopía y Distopias en el paisaje contemporáneo”, (MAAC, Guayaquil, Equador, 2019), “Taxidermy of the Future” (Bienal de Lumbumbashi, Congo, 2019), “EDP New Artists Prize”, (MAAT, Lisboa, Portugal, 2019), “Fiction and Fabrication. Photography of Architecture after the Digital Turn”, (MAAT. Lisbon, Portugal, 2019), “Doublethink: Doublevision” (Pera Museum, Istambul, Turquia, 2017), “Daqui Pra Frente” (CAIXA Cultural. Rio de Janeiro, Brazil), “Le jour qui vient" (Galerie des Galeries, Paris, França, 2017), “Arte Africana Contemporânea e Estética das Traduções” (Bienal de Dakar, Dakar, 2016); “Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Casablanca” (Casablanca, Marrocos, 2016), “Addis Foto Fest” (Addis Abeba, 2016), “Telling Time” (Rencontres de Bamako Bienal Africaine de la Photographie edição 10 éme, Bamako, 2015); “Ilha de São Jorge” (14ª Arquitectural de Veneza, 2014); “Linha de Armadilha” (São Tomé e Príncipe Biennial, 2013), “Do you Hear Me?” (Estado do Mundo, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2008). O seu trabalho é representado em coleções públicas e privadas, como Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado (MNAC), Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Portugal, MAAT, Lisboa, and Centro Cultural de Lagos.


Mónica de Miranda (Oporto, 1976) is an artist and researcher. Her work is based on themes of urban archaeology and personal geographies. She exhibits regularly and internationally since 2004 being nominated for Prix Pictet Photo Award (2016), Novo Banco Photo Prize (2016) and EDP New Artist prize (2019). Her solo exhibitions include: “Taxidermy of the Future” (Museu de História Natural de Luanda, Angola, 2020), “Tomorrow is Another Day” (Carlos Carvalho Arte Contemporânea, Lisboa, 2018),“Panorama” (Banco Económico de Luanda, Luanda, 2019;“Hotel Globo” (Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa, 2015), “Arquipélago” (Galeria Carlos Carvalho, Lisboa, 2014). Her collective exhibitions include: Fotofest Biennial 2020, Houston, USA, “Utopía y Distopias en el paisaje contemporáneo”, (MAAC, Guayaquil, Equador, 2019), “Taxidermy of the Future” (Bienal de Lumbumbashi, Congo, 2019), “EDP New Artists Prize”, (MAAT, Lisbon, Portugal, 2019), “Fiction and Fabrication. Photography of Architecture after the Digital Turn”, (MAAT. Lisbon, Portugal, 2019), “Doublethink: Doublevision” (Pera Museum, Istambul, Turkey, 2017), “Daqui Pra Frente” (CAIXA Cultural. Rio de Janeiro, Brazil), “Le jour qui vient" (Galerie des Galeries, Paris, France, 2017), “Arte Africana Contemporânea e Estética das Traduções” (Bienal de Dakar, Dakar, 2016); “Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Casablanca” (Casablanca, Morocco, 2016), “Addis Foto Fest” (Addis Abeba, 2016), “Telling Time” (Rencontres de Bamako Bienal Africaine de la Photographie edição 10 éme, Bamako, 2015); “Ilha de São Jorge” (14ª Arquitectural de Veneza, 2014); “Linha de Armadilha” (São Tomé e Príncipe Biennial, 2013), “Do you Hear Me?” (Estado do Mundo, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisbon, 2008). Her work is represented in private and public collections such as Fundação Calouste Gulbenkian, Lisbon, Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado (MNAC), Lisbon, MAAT, Lisbon, Arquivo Municipal de Lisboa. Portugal and Centro Cultural de Lagos.

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