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Orientalism and Reverse provoca uma atmosfera de desorientação. Na híbrida capital de Xangai a artista aproxima a sua câmara das janelas de autocarros turísticos. Turistas em grupos chegam e permanecem por breves momentos, dentro e fora deles. Algures ao lado do espetáculo, Tatiana Macedo acerca-se do seu veículo de proteção, as suas carapaças em movimento, que teimosamente pisam a sujidade e a poeira dos parques de estacionamento. No reflexo de cada janela reconhecem-se os traços de uma envolvência urbana, que permanecendo vaga, enquanto vestígio, não faculta qualquer indicação precisa do paradeiro destes autocarros.

A profundidade aqui criada conduz o observador para dentro da fotografia, algures atrás ou por entre as cortinas. O tecido torna-se de tal forma vívido que deixa de ser interpretado enquanto autocarro turístico. Esta transformação de algo fluido em algo sólido parece ser um manifesto orientalista: o objeto de desejo torna-se declarada e simultaneamente claro e vago. O colecionar de momentos contemporâneos da identidade coletiva chinesa produz uma situação na qual perdemos os nossos próprios traços. E. W. Said escreve no seu livro “Orientalism” (1978) que noções como modernidade, iluminismo e democracia não são meios elementares e conceitos acordados em que uns os encontram e outros não (tal como os ovos de Páscoa na sala de estar). Precisamente assim, Tatiana aproxima-se da janela de uma outra pessoa antes de ela entrar. Susanne Weiß

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