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Sobre

Ricardo Angélico utiliza a desconstrução como janela de observação dos modos de representação e a formação do conhecimento, chamando a atenção para o modo como apreendemos as coisas fora do pré-concebido. Para isso, monta uma rede de fios narrativos que resulta da multiplicação e da sobreposição de pequenos fragmentos desconexos entre si, porque são retirados do seu contexto original, mas que têm um acentuado significado individual. Estas referências à literatura ou ao cinema são envoltas em estratégias ficcionadas e ilógicas que, desdobrando novas formas de observação próprias do subjectivo, contribuem para reflectir sobre as formas da representação. Logo, para o artista a superfície da obra converte-se num conjunto de referências, de índices descontextualizados do seu cenário habitual, mas que, ao ligarem universos diferenciados, definem um discurso a partir das suas relações. Nesta acção de deslocamento do contexto está subjacente a capacidade de colocar linguagens que têm origens diferentes numa superfície bidimensional e, estabelecendo contactos entre os diversos elementos, fornecer-lhes outros pontos de vista, outros entendimentos, o que configura uma problematização face aos conteúdos das referências recolhidas.

Na sua série mais recente também apresentada nesta exposição, Ricardo Angélico elabora um banco de registos fisionómicos, baseado também nas aproximações biográficas, que forma um compêndio de sobreposições de três figuras notáveis, tendencialmente de áreas culturais diferentes. Parte de um processo de registo e de circunscrição de determinadas características físicas pessoais, desenvolvido por Galton no século XIX, a que correspondia um sistema de valoração que reflectia o tipo de educação, de experiências e de vivências da geração em que o indivíduo se inseria - tornando-se uma base propagandística fundamental para justificar a separação de classes. Este conjunto de trabalhos são exercícios que pretendem prender os traços fisionómicos de um conjunto de personalidades escolhidas pelo artista e e que constituem o seu próprio quadro de notáveis. É através do desenho e da sua condição subjectiva que advém uma preocupação em estabelecer proximidades, não apenas no plano físico mas no plano imaterial, como por exemplo, aproximações de ordem criativa, biográfica, geográfica, de nome ou de aparência. Com este amplo painel de figuras célebres, Ricardo Angélico elabora um jogo de ocultação e de descoberta, desafiando o sentido único do retrato individual - deixando em aberto a criação de uma nova personagem.

 

Ricardo Angélico nasceu em Angola em 1973. Das suas exposições individuais destacam-se There will be no safety zone e The Aronburg Mystery (galeria Carlos Carvalho Arte Contemporânea, Lisboa, Portugal, 2011 e 2008), Caro Jünger/Caro Nabokov (Museu Nacional de História Natural, Lisboa, Portugal, 2004) e Museu de Cera - Imagens da Colecção Christian D. Karloff (Fundação D. Luís, Cascais, Portugal, 2003). Em relação às suas exposições colectivas poderemos referir as realizadas na Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea, Almada, Portugal (O Desenho Dito, 2008), no Centro de Arte Manuel de Brito (À Volta do Papel, 2008) e Culturgest, Lisboa, Portugal (V Prémio Fidelidade Jovens Pintores, Lisboa, Portugal). Está representado nas colecções Caixa Geral de Depósitos, Lisboa, Fundação D. Luís I, Cascais, Fundação PLMJ, Lisboa e Centro de Arte Manuel de Brito, Algés.

 

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