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O Registration Act Sul Africano de 1950 atribuía o termo "de cor" a todas as pessoas que não se integravam num grupo social definido, expondo não apenas uma visão centrista mas também uma vontade de prossecução hierárquica, abrindo um problema de classificação/desclassificação racial. Este episódio, enunciado em "The Construction of Peoplehood: Racism, Nationalism, Ethnicity" de Immanuel Wallerstein, contribuiu para que este sociólogo mostrasse, no mesmo texto, como é que estas circunscrições sociais reflectem construções inconsistentes e que se alteram e transmutam conforme o peso das relações laborais para com as conveniências económicas do sistema capitalista. Esta vinculação a um conjunto de interesses que advêm de estruturas de poder que sedimentam as desigualdades e as assimetrias, enuncia várias situações ligadas à criação de divisões inconscientes mas marcadas de forma evidente, em comportamentos, culturas e vivências que não dizem respeito apenas a situações territoriais, mas que demonstram a forma como o sistema laboral enuncia e cria noções como nação, etnia e raça como ferramentas de controlo.

 

Pela primeira vez em exposição na galeria Carlos Carvalho, Carlos Noronha Feio apresentará três séries de trabalhos recentes que lhe vão permitir explorar algumas questões como território, raça e fronteira.  "Plant Life of the Pacific World" toma partido dos efeitos visuais das imagens de explosão nuclear convertendo-as em composições que configuram um misto de formas vegetais e florais. Este conjunto de trabalhos segue um tipo de nomenclatura atribuída pelo botânico Americano E. D. Merrill a plantas naturais dos territórios que compreendem as ilhas do Pacífico, e que foi registrado num livro que emprestou o título à serie. Esta explosão de cores e de formas vegetalistas escondem um facto histórico chocante e real que é observado apenas por um olhar mais atento. Descobre também uma vontade de mostrar uma relação entre o real e o construído designadamente pela utilização de formas de mascaramento do real que aqui é apresentado de um modo agradável e sedutor. "Native People of the Pacific World" cria duas camadas de contextos diferentes em que a cor, a representação de linhas institucionais e o traço livre são conjugados com imagens de povos "nativos" do Pacífico. A exposição apresenta ainda a instalação de som "Do fundo do mar pacifico não se percebiam as diferenças!" que mostra relação entre as duas primeiras séries.

Poderemos afirmar que um dos pontos comuns a estas três series é uma prática de apropriação de imagens com um forte significado histórico e identitário de modo a construir, com estas e sobre estas, num novo discurso e um novo pensamento.

 

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