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Sobre

Para Luís Nobre a imagem é uma forma de conhecimento visual com condição operativa. Ao artista interessa-lhe reunir conceitos, envolvê-los no espaço, perceber qual a afinidade que resulta dessa união de modo a investigar sobre o resultado dessa acção. Quase sempre essa afinidade surge do conflito - a antítese ou a síntese, a ordem ou a desordem, o equilíbrio ou o desequilíbrio, a harmonia ou a desarmonia – que são variantes que enformam o campo de análise do artista.

Este diálogo aberto entre significados de épocas diferentes, figurações, geometrias ou outros elementos formais, é desenvolvido não no sentido de catalogar mas de articular e estruturar um pensamento. Ao juntar estilos e épocas, colocando-os na mesma “mesa de montagem” para com isso partir do mesmo princípio de raciocínio, desestrutura os encaixes estilísticos dados pelas classificações académicas e sublinha a inexistência de graus de expressão artística. Esta questão é bem visível nas suas mais recentes exposições do Museu Nacional Soares dos Reis ou Museu de São Roque em que o artista se apropria de linguagens do passado, incluindo-o no seu próprio corpo de trabalho. 

O desenho é o fio aglutinador desta operação de convivência das formas e significados: reconecta ideias e conceitos, circunscreve unidades, enuncia complexidades e descreve relações. A subjectividade inerente à prática do desenho, ao processo de apropriação das formas e a sua fase de integração, segue um raciocínio que é próprio deste artista porque só este delimita o campo da obra e decide quando esta está concluída. Deste modo, o trabalho de montagem da exposição é uma acção performativa do artista em diálogo com a experiência do espaço e o vocabulário de formas que dispõe.

Ao desenvolver uma linguagem de intersecções, Luís Nobre faz uma reflexão sobre o que é o significado, envolvendo-o numa teia de relações para o desconstruir, criando o seu próprio discurso.

  

Luís Nobre (Lisboa, 1971)

Formação em Artes Visuais na ESAD, Caldas da Rainha em 2003.

[Exposições individuais - selecção] “Por detrás da aparência”, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto, (2010), “Causa-efeito”, Museu de São Roque, Lisboa, (2010), “Três Passos Para a Frente”, ZOOM – Carlos Carvalho Arte Contemporânea, Lisboa (2009), “Hold it!”, Location One, Nova Iorque, Estados Unidos (2008); “Paralelo 36”, VPF-Cream Art Gallery, Lisboa (2007); “Backside”, Borderline Agency, Custom Post, Mondoff, Luxemburg France (2007); “Random Border” Leigh Woods, Bristol, Reino Unido (2005).

[Exposições colectivas – selecção] “A Corte do Norte”, Plataforma Revólver, Lisboa, (2011), “Processo e Transfiguração”, Casa da Cerca, Almada, (2010), “Location 1 at Monketown”, Brooklyn, Estados Unidos; “E=mc2”, comissariada por Miguel Amado, Museu da Ciência em Coimbra (2005); “Contrato Social”, comissariada por João Pinharanda, Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa (2005); “7 Artistas ao 10º Mês”, Fundação Calouste Gulbenkian Lisboa (1996).

[Colecções] Museu José Malhoa, Fundação Ilídio Pinho, Fundação P.L.M.J e Caixa Geral de Depósitos.

 

Mesa de montagem é um termo utilizado por Georges Didi-Huberman numa entrevista a propósito da exposição Atlas – como levar o mundo às costas que teve lugar de 26/11/10 a 28/03/11 no Museo Nacional Reina Sofia em Madrid, Espanha.http://www.youtube.com/watch?v=WwVMni3b2Zo

 

 

 

Exposição