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Sobre

Nesta exposição Carla Cabanas apresenta trabalhos de duas séries distintas, mas que contêm si uma base comum: a análise e levantamento de questões relacionadas com o conceito de memória. O tema é abordado através da recolecção de lembranças (mediante uma longa série de entrevistas) de forma a poder confrontar a ficção inerente ao relato de experiências passadas, com uma nova narrativa criada pelas imagens que produz a partir desses testemunhos.

 

Na série mais actual, tudo começa com o pedido “descreve o espaço que te lembras com mais detalhe”. Este método despoleta resultados díspares, mas que partilham um ponto comum: a descrição por palavras de uma imagem mental, quase fotográfica (arrisca-se dizer), que se aviva entre os avanços e os recuos, as definições e as imprecisões da linguagem. Num exercício de mnemónica, a autora pede ao entrevistado que realize um mapa desse espaço, para que a palavra se transforme em matéria definida, se cientifique cartograficamente e se possa visitar. O tempo da entrevista é cronometrado, lido pela voz de Carla Cabanas, nova dona das memórias alheias, depurado de pausas e limpo de interjeições.

A fotografia nasce da soma de todas estas partes: a visita ao espaço registada através de uma câmara escura (uma estenopeica que sorve lentamente a luz) durante o tempo cronometrado, que se torna no tempo de exposição para experimentar o sítio.

 

O espectador terá a mesma oportunidade de também tornar suas as memórias de outros, de partilhar o processo íntimo deste ciclo, de comparar a memória distorcida pelo tempo, pelas palavras e pelas imagens, pois é convidado a escutar o som da história contada enquanto observa a fotografia.

 

A outra séria apresentada é composta pela ligação entre uma imagem difusa, sem identidade, e um texto que contém comentários dos retratados sobre as suas primeiras recordações. Com este projecto, a artista pretende “questionar o processo de fixação de memórias onde existe sempre algo verdadeiro e algo ficcional”.

 

 

Exposição