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Sobre

Algumas séries de trabalhos fotográficos de Manuel Vilariño giram em torno do espaço da natureza-morta, definido por uma exterioridade. Natureza morta, seja ela uma aproximação ao barroco ou às culturas brahmanicas, que reconhecemos e por onde transitamos, precisamente em relação a esta exterioridade.
Paisagens do exterior da exterioridade, de luz auroral ; como um olhar à amplitude, à intempérie.
Imagens nas quais só é possível o tempo auroral, ou a hora azul, esses minutos de silêncio antes da alba. Como escreve María Zambrano," só quando o olhar se abre a par do visível se faz a aurora". É nesse instante auroral , fugitivo, que tem lugar a leve aparição da luz , o germinar da aurora , o acordar da criação. Naturezas mortas de velas , luz de vela, nas que, como a própria vida, o tempo se consome sem pausa, tempo que nos aprisiona e nos torna errantes. A vela é um caminho entre a luz interior e a luz da aurora , uma travessia entre o próximo e mais longínquo, mesa conventual ou paisagem , fulgor atávico do fogo, instante amarelo.

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