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Sobre

José Bechara compra as telas gastas aos camionistas; ou seja, quando chegam a suas mãos já são pintura, tendo vivido tanto. Bechara compra segundo as marcas e cicatrizes. [...] Mais tarde, no ateliê, Bechara inicia o processo de oxidação que caracteriza as suas pinturas recentes, ou mais concretamente, essa maneira de ferir e crucificar a tela a partir de uma série de capas de aço de diferentes espessuras que sela sem pincel para posteriormente molhar e deixar que o tempo (o calor e a humidade) actue e deixe as suas marcas. Mais tempo, mais cicatrizes e mais memória que tingem a tela de um azar que se combina com o traço composicional controlado que o artista imprime a partir de uma série de largas tiras de fita adesiva que estruturam a tela já antes de proceder à sua oxidação. Assim se constituem as matizes, os gestos que tornam artístico o processo que confere a forma final a partir da combinação de telas que acabarão por definir o universo de rigorosas tensões que são as suas pinturas. Daí os seus dípticos, trípticos ou polípticos e as suas diferentes intensidades; também o seu jogo de contrários, as zonas de conflitos e tensões que denotam um olhar cúmplice da vida como valor estético. | David Barro

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